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Na Estrada

Kilimanjaro
Autor: João Paulo Barbosa


O historiador e aventureiro João Paulo viaja até a África, na República Unida da Tanzânia, para subir no teto do continente. Vizinho dos três maiores lagos africanos, o Kilimanjaro, de 5.895 metros de altitude, é avistado numa distância de até 300 km, em meio a vários parques de animais selvagens. »»»

Faça uma experiência: observe em qualquer mapa-múndi o continente africano.

Com um pouco de atenção, você logo vai encontrar um nome que soa familiar a qualquer aficcionado em aventuras. Estou falando do monte Kilimanjaro, a maior montanha da África. Em setembro de 1996, Bento Viana, Othon Leonardos e eu, embarcamos em Londres rumo à Nairóbi, capital do Quênia, no leste africano. Daí tomamos um ônibus em direção à fronteira com a Tanzânia, país mais ao sul onde se localiza o Kilimanjaro - sem dúvida um dos cartões postais mais impressionantes da África.

Olhando através da janela, as savanas (vegetação típica que lembra o cerrado) pareciam sem fim. A sensação de estar num lugar cheio de novidades era, sem dúvida, maravilhosa. Há mais de dois anos vinha sonhando com uma viagem à África. E não podendo ser de outra forma, o Kilimanjaro foi o primeiro ponto escolhido. Com 5.894 metros de altitude, coberto eternamente por glaciares gigantescos, este vulcão extinto da era primária tornou-se parte da minha vida.

Visto de longe

Foi impossível segurar a ansiedade ao avistar o nosso grande desafio.Afinal, milhares de estórias de sucessos e fracassos aconteceram, e ainda acontecem, por essas bandas. O Kilimanjaro é uma montanha sagrada há milhares de anos para as tribos da região. Os Chaagas e os Maasais, duas das mais importantes, o reverenciam como a "Casa de Deus" ou, ainda, a "montanha que não pode ser subida". Na língua oficial da Tanzânia, o suaíle, seu nome tem outro significado: kilima quer dizer "montanha" e njaro é "qualquer coisa que surja do nada". Ou seja, no meio do platô central africano, é de impor respeito uma pedra isolada que beira 6 mil metros acima do nível do mar e possui uma cratera em seu topo, a Kibo, sete vezes maior que o estádio do Maracanã, que pode ser visto numa distância de até 300km.

Nossa aventura começa em Arusha, no extremo norte da Tanzânia. Essa é uma cidade estratégica turisticamente, pois dela partem alguns dos safáris mais famosos e é caminho para os que seguem em direção ao Kilimanjaro, que deverão viajar mais 80 km até Moshi. É nessa pequena cidade - a mais próxima da montanha - que as expedições fazem os contatos com as empresas especializadas. Na verdade, essas agências repassam as taxas cobradas pelo Parque Nacional do Kilimanjaro, que ultrapassam os U$ 200 por apenas cinco dias de permanência. Além de oferecerem serviço de guias, que são obrigatórios devido aos vários casos de turistas inexperientes perdidos ou acidentados.

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