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Na Estrada
Rumo ao topo
Autor: João Paulo Barbosa
Andando de um lado para o outro, pedindo informações e consultando mapas, fui abordado por um mexicano que, entendendo a minha situação, falou: "Olha, não tem fiscalização na trilha". Pronto! Resolvi bolar uma estratégia e ver no que dava. Coloquei comida e saco de dormir dentro da mochila e comecei a subida às duas horas da tarde.
Tarde? Muito. Fazer o que então? Voar. Única solução plausível naquele instante. Do ínicio da trilha até o acampamento Outpost (3.159 metros) são cinco quilômetros e seiscentos metros de trilha recheadas de cachoeiras e lagos cristalinos como o Lone Pine Lake. O normal é gastar quatro horas neste trecho. Daí até o acampamento Trail (3.658 metros) são mais quatro quilômetros de subida na qual é possível adimirar o Mirror Lake, árvores enormes caídas e pedras espalhadas na floresta. Tempo normal estimado: três ou quatro horas.
Com a mochila relativamente leve e uma experiência de anos e anos em "roubadas", voei. Às seis da tarde, ainda com o dia claro, cheguei ao Trail Camp. Como se fosse mágica do destino, dou de cara com a alpinista Laura Evans e o seu grupo Expedition Inspiration, ONG que arrecada fundos para pesquisas em câncer de mama. O grupo é formado por mulheres que já passaram por esse problema e que hoje realizam expedições em montanhas de todo o mundo. Amabilíssimas, me serviram um pedaço de pizza e biscoitos de chocolate.
Simplesmente não acreditei quando o sol se pôs e as paredes do monte Whitney ficaram amarelas e o céu cinza. Deve ter sido em um momento parecido que inventaram a palavra "espetacular". Dentro do saco de dormir, escondido, atrás de blocos de pedra, do vento e dos ursos, rezei para que não chovesse ou nevasse e simplesmente me entreguei aos elementos.
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