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Canyoning

Descendo o Rio do Peixe
Autor: Carlos Zaith


Como forma de homenagear os bandeirantes que navegaram os rios paulistas, uma "mini-Monção" de aventureiros despencou de belíssimas cachoeiras e percorreu o ribeirão do Peixe, no meio-oeste paulista. »»»

Finalmente desceríamos integralmente o "Peixe", um dos mais belos rios da "cuesta" paulista. Esquecido num canto entre Brotas e Dois Córregos, ele esconde uma floresta exuberante e um passado cheio de histórias do ciclo do café, que deixou inúmeros vestígios dessa pujança. Hoje, ilhado pelos "oceanos de cana", ele ainda resiste ao tempo e ao homem.

A mais bela Furna

O rio do Peixe, ou melhor: o ribeirão do Peixe, nasce na serra do Tabuleiro, próximo à junção dos municípios de Torrinha, Brotas e Dois Córregos, no meio-oeste paulista, e corre pelo alto da Serra de Brotas, em sentido noroeste até misturar-se ao Jacaré-Pepira, mais de 20 km depois.

Com um desnível de 300 metros, recebe cerca de 30 afluentes pelas duas margens. Na metade do seu percurso, o "Peixe" se torna um prato cheio para os amantes do extremo, abrindo a mais bonita das furnas e despencando em belíssimas cachoeiras, totalmente cercadas de vegetação luxuriante.

Dando prosseguimento ao projeto de explorar e divulgar os rios paulistas "mais verticalizados", através das técnicas do canionismo, nossa equipe anfíbia, formada para essa ocasião por: Roberto Sousa, Wilson Sekiguti, Cláudio Oliveira e por mim, partiu para mais essa "mini-Monção" (uma homenagem aos intrépidos bandeirantes que navegaram os rios paulistas, fundando vilarejos, hoje: cidades).

Limpo, lindo e... assoreado

Numa bela manhã de junho, fomos a Serra de Brotas. Ultrapassamos a ponte sobre o rio do Peixe e saímos da estrada principal para achar uma boa sombra para deixar o veículo. Mas, a caminhonete começou a encalhar na areia fofa de uma "estrada" muito erodida e tivemos que voltar para a principal.

Aprontamo-nos demoradamente e só fomos entrar no rio por volta do meio-dia. Teríamos que acelerar, pois com o dia sendo "mais curto" nessa época do ano, não dava para bobear. Fizemos um rapel de uns 8 metros na ponte que separa os municípios e experimentamos a água límpida e fria do Peixe. Reparamos que, nesse trecho o rio estava bem assoreado. Uma pena! Era o primeiro indício de degradação nesse pedaço do paraíso.

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